25/10/2015

hora do conto | Perdão, eu sei que errei

Iv não aguentava mais. As brigas se tornaram insuportáveis, as lágrimas já vinham só em lembrar dos últimos acontecimentos. Seu casamento estava fracassado e isso depois de terem completado onze anos! 
- Ora, onde já se viu... - ela indagava, o rosto ficando vermelho por causa da raiva. - Ele é o culpado de tudo isso! Ele que saiu de casa. Ele que fugiu! 
Seu coração doía em pensar que ele estava tão longe, voltara para seu país natal. Ela o subestimou, achava que ele não seria capaz de ir embora assim, ela não era um monstro, a culpa nem era dela das brigas começarem, pelo menos era isso que achava. Mesmo quando iam para os cultos da igreja que faziam parte, após fecharem os portões de casa, a briga começava sem sentindo algum. Às vezes era porque ele olhava demais para o relógio, às vezes porque ela bocejava, ou pasmem: porque ele deixou de ir com a roupa que ela colocou em cima da cama. 
- Por que, meu Deus? Por que logo comigo? Fiz tudo certinho, ele que está errado! Quer viver individual, que viva solteiro! - resmungou, escutando o som do próprio choro na sala vazia, sentada no enorme sofá que trazia tantas lembranças de momentos divertidos com Fred. 
Fungou, olhando para fora da janela, o céu azul num dia lindo, num domingo. Estava se questionando agora sobre como ele estava, se também sentia essa dor que ela sentia, esse aperto no peito. O amava tanto! Por que, meu Deus?, se questionava desde que ele partiu. 
Sem esperar, escutou a campanhia. Assustou-se, porque ninguém a visitara desde o mês passado, desde que ele viajou para a Espanha. Fungou mais uma vez, colocando os cabelos ruivos num rabo de cavalo, sentia-se horrível, seus olhos estavam inchados e seu nariz muito vermelho. Rolou os olhos castanhos, passando a mão levemente no vestido branco, sem vida. A aliança brilhando em seu dedo quando o raio de sol passou pela janela e o atingiu. Ela engoliu em seco, fechando os olhos por um segundo. 
Saiu da casa, indo ver quem estava no portão a essa hora da manhã. Quando vira quem era, parou no meio do caminho. Sentia suas pernas tremendo, seu coração pulsando forte, sua respiração pesada. Fred. Ele estava ali, com os olhos vidrados nela, seu cabelo maior, mas de barba feita, trazia consigo um ramo de rosas vermelhas. 
- Fred...?! - sussurrou o nome dele, ainda não acreditando. Ele sorriu, parecendo desconsertado. 
- Oi, pequena sereia. - chamou-a pelo seu apelido, no qual somente ele a chamava de forma carinhosa. Derreteu-se, podia desmaiar ali mesmo. - Abre? 
- Fred! - chorou, chorou forte enquanto corria para abrir o portão e abraçá-lo. 
- Eu sei, pequena sereia, eu sei. Perdão, eu sei que errei ao deixar a nossa casa, foi por impulso e não parei de pensar em você nem por um segundo enquanto estava no hotel na Espanha. Deus tratou tanto comigo, me desculpe. - ele afagou-lhe as costas, emocionado. Sentira uma falta enorme de sua pequena sereia, sua ruiva comediante e que agora, parecia apagada pela dor. 
- Eu... Eu não queria admitir, mas também errei. Deveria ter dado a chance de um diálogo cheio de paz e paciência, mas estava perdida, não vi que estava sendo dramática e ogra com você. Me perdoe, eu sei que errei também. - confessou, sentindo uma paz inundar seu coração, sabia que estava sendo tratada em relação ao seu orgulho. Se achava que estava certa, era isso e acabou, mas agora, olhando para a situação, nem sempre somos os certos e nem sempre ambos são os certos. 
Sentados agora no sofá, ele entregou-lhe o ramo de rosas vermelhas, a fazendo sorrir lindamente e cheirá-las. Sorriu para ela de volta, beijando a mão dela com carinho. 
- Mas era pra gente tá junto nessa, pra gente fazer o nosso casamento dar certo. Lembra do versículo de 1 Coríntios que fala que o amor tudo suporta e tudo crê? Vamos ler comigo! - ele levantou-se e foi até a estante, sabendo exatamente onde se encontrava a sua bíblia, abriu-a em 1 Coríntios: 13, versículo 4, e começou a ler junto com Iv:

4. Quem ama é paciente e bondoso.
Quem ama não é ciumento,
nem orgulhoso, nem vaidoso.
5. Quem ama não é grosseiro nem egoísta;
não fica irritado, nem guarda mágoas.
6. Quem ama não fica alegre quando alguém
faz uma coisa errada,
mas se alegra quando alguém
faz o que é certo.
7. Quem ama nunca desiste,
porém suporta tudo com fé, esperança
e paciência.

Ao finalizarem a leitura, sorriram, recebendo da Palavra do Pai, fechando os olhos e orando juntos. 
FIM...?

Quando se quer que um relacionamento dê certo, é necessário que ambos queiram fazer dar certo. Iv e Fred aprenderam a lição, agora é colocar em prática o que leram novamente em 1 Coríntios 13, 4-7 e o que há na Palavra. Saber, reconhecer que somos falhos é importante, porque pedir perdão te liberta da dor e agonia, vivamos em paz 





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